UMA BREVE HISTÓRIA DO ROSTO

Comportamento
06/12/2016

Outro dia vi uma polêmica acerca de uma matéria da Vogue que anunciava o fim da era dos seios grandes. Muitas ficaram indignadas, cobertas de razão, claro. Como é que se adequa a uma tendência dessas? Mas eu não entendi a surpresa…Não foi ao acaso que os implantes explodiram nos últimos 15 anos. Basta olhar para o passado e notar que o corpo sempre esteve sujeito a modismos, por mais cruel que fosse. Isso também acontece com o rosto e a fisionomia mas, aparentemente, as pessoas estão fazendo o mesmo movimento sem se dar conta…

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Não é a primeira vez que abordo essa questão aqui, mas é algo que realmente me preocupa. Não é que eu seja contra intervenções estéticas, pelo contrário. Eu só me pergunto se as pessoas estão fazendo pelos motivos certos e não apenas influenciadas por uma dessas tendências que certamente vão mudar na próxima década. O que rolou com os seios vai acontecer com a face. E eu digo isso porque já ocorreu antes, várias vezes, na história recente. Observemos uma breve história do rosto, através da moda:

• Início dos anos 90: Supermodelos.

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Na virada dos anos 90 o padrão de beleza era uma mulher forte, com uma fisionomia saudável e quase atlética. Mulherão mesmo! Naomi Campbell, Cindy Crawford, Linda Evangelista, Claudia Schiffer, Christy Turlington… Bons tempos (na minha humilde opinião, rs). Rosto alongado, bochechas presentes, mas desenhadas. Sobrancelhas desenhadas. Cara de saúde!

• Meio dos anos 90: Heroin Chic.
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Ouvi esse termo durante anos sem perceber que o “Heroin” era de heroína – a droga. Ah, a inocência! Mas é isso mesmo. Depois de toda a saúde das supermodelos, o movimento seguinte foi o anti-saúde. Rosto fino, angular, lânguido, de expressão cansada. A era grunge. Kate Moss e Calvin Klein, os maiores representantes desta época. Sai o look mulherão e entra a menina debilitada. Também tem seu charme, mas não é a que eu prefiro. 

• Início dos anos 2000: Glamazon.

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Reza a lenda que Anna Wintour estava sentada num desfile quando passou Gisele Bündchen na passarela, foi quando Anna disse “esta é a menina que vai mudar o padrão“. E ela estava certa! Gisele chegou mudando as regras. Volta a saúde, volta a beleza solar, volta a abundância, o mulherão. Foi uma época gloriosa para modelos made in Brazil no geral. Os traços alongados e mais pronunciados ganham destaque novamente. Gisele com seu nariz, bocão e cabelão mudaram tudo. Notaram que tem um padrão de “corrente x contracorrente” aqui, né? Então vocês já podem prever o que aconteceu em seguida…

• Fim dos 2000: Beleza estranha

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Eu não sei se essa fase tem um nome tão cativante quanto as demais, mas “beleza estranha” define bem. E eu não falo isso de forma pejorativa. Saem as Glamazons e entram os traços diferentes e exóticos, como os de Lindsey Wixson e Lara Stone. Um resgate do grunge com Marc Jacobs e McQueen. O rosto de coração (triângulo invertido) passa a dominar e as bochechas somem. Até a Madonna mudou de face! Lembram da era Jessica Stam, Sasha Pivovarova, Gemma Ward? De certa forma isso vem ecoando até hoje com Cara Delevingne e seus rostos felinos.

• Presente e futuro: ?.

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Se você quer saber meu pitaco, o panorama já começou a inverter de novo, com Gigi Hadid. Sua carinha de saúde – com bochechas e uma alma solar. Acho que está rolando um retorno do que é mais natural, em vários aspectos da moda e da beleza. O formato do rosto e a fisionomia também entram nisso… 

É muito importante que a gente entenda que existem estes ciclos por dois motivos: primeiramente e mais importante, para que isso não afete a nossa autoestima. E daí que você não tem as cavidades na bochecha do padrão vigente se isso vai mudar a qualquer momento? O segundo motivo é para que ninguém assuma algo definitivo ou drástico sem que seja algo que quer mesmo, independentemente de modismos (que, convenhamos, ninguém é imune). 

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Do ponto de vista da consultoria de imagem, que é a da percepção que têm nossos cérebros, o importante é apenas a proporção. Um rosto oval é o que sua biologia espera e isso pode ser simulado com pequenos ajustes no corte de cabelo, os decotes certos e até um brinco certeiro. Nada drástico ou definitivo. Só um pouco de ótica! Ainda vou escrever mais sobre isso, se isso te interessa, fique de olho aqui…

Beijos,

gabi

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  1. Rafaela Em 06/12/2016

    Gabi, que post genial!
    amei muito, esses dias mesmo eu tava conversando com a minha irma a respeito dos padrões de beleza e acredito exatamente nisso que vc falou 🙂


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  2. Gabriela Lopes Em 06/12/2016

    Excelente post!
    Tudo nessa vida é um movimento de ir e vir (pode reparar, até em design de carro, ora mais arredondado, ora mais quadrado).
    Pena de quem tenta correr atrás do modismo vigente (imagina, põe silicone, tira silicone, tira bochecha, agora põe de volta?)
    Acredito na intervenção estética para ajudar naquilo que nos incomoda de verdade (no meu caso, é o busto 46…).
    Agora, se a pessoa se incomoda porque não se encaixa nos padrões, o que ela precisa é de um terapeuta, e não de cirurgião plástico.


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  3. Denise Ribeiro Em 06/12/2016

    Excepcional seu post. Inteligente, bem colocado, mostrando com clareza que não devemos nos influenciar pelo modismo vigente. Parabéns!


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  4. Tamy Em 07/12/2016

    Como sempre, post bem escrito, útil e cheio de referências visuais e de moda. Amei, Gabi! Fã sempre!


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  5. TAINA KRUGER CAVALHEIRO Em 07/12/2016

    Bem legal o post, é interessante perceber, também, que as referências (não suas, mas da “moda” mesmo de todas essas épocas) são loiras de olhos claros, na grande maioria, pra ter noção de que não dá pra se deixar influenciar muito por isso, pois a maior parte das pessoas “reais” ficam excluídas desse “padrão de beleza”. Espero que isso mude um dia (já está, um pouco, mas muito timidamente ainda).


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  6. camila Em 07/12/2016

    muito bom o texto! JÁ TINHA OBSERVADO MESMO ESSE FENÔMENO DA CORRENTExCONTRACORRENTEna moda… tudo é cíclico, apenas para gerar novos desejos de consumo!


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  7. Barbara Em 07/12/2016

    Legal essa retrô, adorei! Concordo sobre a Gigi e me arrisco a dizer que a contracorrente já é sua irmã, Bella, que mesmo sendo da mesma família tem uma vibe ~dark/ lânguido fashion.
    beijos


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  8. Talita Em 17/02/2017

    Boa noite, Gabriela! Parabéns pela postagem. É sempre bom poder ler algo construtivo e que nos faça refletir.


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