MUSLIM GIRL

Comportamento
09/03/2017

Em tempo para o dia da mulher, gostaria de dividir com vocês uma experiência muito legal e marcante para mim. Fui convidada pela Glamour para fazer uma entrevista diferente para a edição deste mês… Uma entrevista que mudou um pouco minha forma de pensar. Tive o privilégio de conhecer (e até levar para passear pelo Rio, comer um picadinho) a maravilhosa Amani Al-khatahtbeh, do site Muslim Girl. Você provavelmente nunca ouviu falar dela, mas deveria. Eu nunca aprendi tanto com uma pessoa tão mais nova do que eu – exceto no dia em que a minha irmã adolescente me ensinou a mexer no Snapchat

  

A Amani, com 23 anos na ocasião, já havia se tornado uma ativista de notoriedade nos Estados-Unidos. O Muslim Girl, site que ela criou, se tornou referência para muçulmanos e não-muçulmanos aprenderem e dividirem um pouco das suas experiências e seus manuais de sobrevivência numa América pós-11 de Setembro. Um tópico tão em voga, mas um nicho tão carente de representação que Amani atingiu 100 milhões de acessos em pouco tempo. Ela se tornou uma voz de sua geração e já é conhecida até dos Obamas [pausa para celebrar que agora tenho apenas um grau de separação com Barack e Michelle]. 

muslim girl

A matéria ficou linda, com fotos de Sofie Mentens, styling dos queridos We not Me e make da Miss Emanuelle, além da edição especial da equipe da revista. Vale a pena ler por completo! Até porque, a história dela é fascinante. Mas eu não vim dar spoiler e sim apenas falar de como isso mudou um pouco as coisas para mim. Todos nós temos uma imagem de como é o Islã certo? Mas uma pergunta crucial: você já falou com um muçulmano? 

Amani apenas me contou a sua história e isso foi o suficiente para que eu conseguisse mudar de opinião sobre algumas coisas. Muito do que eu acreditava sobre a sua religião e cultura estava equivocado. Era baseado em preconceitos e relatos de pessoas de culturas como a minha. Um eco da opinião alheia. Foi então que eu percebi que eu havia formado uma ideia sem nem ao menos ter contato com alguém próximo daquilo. E como isso serve de exemplo para o dia de hoje…. 

Acredito que, se ao menos a gente puder escutar, escutar mesmo, a história e a bagagem de cada um, fica muito fácil entender, aceitar e ter empatia. Acabar com ideias pré-concebidas e enxergar com outros olhos. Para mim o Dia Internacional da Mulher não é uma ocasião para parabenizar [muito embora eu aceite com carinho, obrigada] e sim para refletir e conscientizar. Para quem ainda acha que o Islã, com seu mais de bilhão de pessoas é uma coisa só, converse com um muçulmano. Para quem resiste ao feminismo por achar que é só cabelo na axila, rs, converse com um(a) feminista. Para quem acha que não existe mais racismo, converse com alguém que passa por isso. Vamos abrir uma janela e deixar a informação entrar pela interação? Acredito que é o atalho mais rápido para acabar com os preconceitos e enfim atingir a união que tanto almejamos e precisamos. 

Em tempo, muito obrigada à Pauli Merlo e à Nat Fuzaro pela oportunidade. Nunca vou esquecer!

Beijos,

gabi

PROGRAMAS DE TRANFORMAÇÃO X CONSULTORIA DE IMAGEM

Comportamento
22/02/2017

Não vou mentir para vocês, eu amo todos os programas de transformação da TV. What Not to Wear, Mude o meu Look, Troca de Estilos… Meu primeiro contato com a Consultoria de Imagem foi com Trinny e Susannah no Esquadrão da Moda britânico do finado canal People + Arts. Lembram? Acho que eu tinha uns 12 anos. Uso alguns aprendizados e expressões delas até hoje. Elas dominavam tanto o assunto e tinham uma abordagem hilária! 

Consultoria de imagem x programas de transformação

Saudades dessas loucas

Apesar de adorar os programas de transformação, eles são versões extremamente diferentes da Consultoria de Imagem da vida real. A começar por uma palavrinha mágica: motivação. Para a pessoa assumir esse compromisso com a mudança, ela tem que, acima de tudo, querer mudar ou aprimorar alguma coisa. Se ela não tem vontade ou até mesmo curiosidade de se ver de outra forma, qual a chance disso dar certo? Existem sim episódios com casos de pessoas que simplesmente desistiram de si ou que usam a roupa como um escudo anti-pessoas e que precisam de ajuda. Para mim, esses são os melhores episódios e eu invariavelmente choro em todos. Nesses casos, os programas de transformação estão realmente prestando um ótimo serviço. 

Mas existem também casos em que a pessoa está feliz consigo mesma e é persuadida a participar do processo sem ter muita vontade. E também aquelas que saem insatisfeitas. Isso porque esses programas quase sempre negligenciam a outra palavrinha-chave: personalidade. É indiscutível, a pessoa sempre sai melhor do que entrou. Isso porque o processo cuida muito bem de um aspecto importante da Consultoria de Imagem, a adequação. Geralmente são mulheres beirando os 70 anos se vestindo como se tivessem 17, ou profissionais indo trabalhar de moletom velho mastigado pelo cachorro ou moças vestindo roupas 7 tamanhos maior do que elas. Na maioria das vezes o problema é mesmo adequação. Só que isso não quer dizer que todo mundo queira um resultado pré-moldado

Consultoria de imagem x programas de transformação

Só muda o endereço e o tom azul do vestido drapeado (eu sei, eu sei, drapeado é tudo de bom). 

Isso sem contar a falta de tato. Esses dias estava assistindo a um episódio de Mude o meu Look e fiquei arrasada com a maneira como a participante foi tratada pelas próprias amigas. A tristeza era palpável. Imagine a pessoa mais doce, ouvindo das melhores amigas que “não aguentavam mais a humilhação de andar perto dela”. Eu entendo que existem situações bem constrangedoras, mas vamos com calma… E gostaria de acrescentar que as amigas não eram essa Coca-cola toda não (estava louca para tirar isso do peito, rs). Nem lembro como a moça ficou no final das contas, mas a crueldade me marcou.  

A melhor parte da Consultoria de Imagem é justamente a quantidade de análises e customizações que ela oferece. Tudo é contabilizado e moldado para as preferências e demandas da cliente. E isso inclui a personalidade, a rotina e gosto pessoal. Aliás, o maior desafio, pelo menos eu acho, é justamente não deixar o meu gosto interferir. Claro que é impossível ficar 100% isento mas eu me esforço ao máximo para chegar em 99%, rs. Até escrevendo aqui eu busco sempre esclarecer o que é minha opinião e o que é técnica, para não impor nada meu a ninguém. 

E claro, o processo não pode ser traumático. Pelo contrário. Eu prefiro que seja uma indulgência que a pessoa se permite. Como os chocolates que eu me dou com uma certa frequência. Tem que ser minimamente prazeroso. Há que se ter empatia – e também ser firme ao mesmo tempo. Pode até ser que a pessoa me odeie um pouquinho na etapa de descarte. Eu entendo, rs. Mas minha meta é que ela volte a gostar de mim até o final e ainda mais de si mesma. Se conhecendo melhor e se reconhecendo do outro lado do espelho.

Beijos,

gabi

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UMA BREVE HISTÓRIA DO ROSTO

Comportamento
06/12/2016

Outro dia vi uma polêmica acerca de uma matéria da Vogue que anunciava o fim da era dos seios grandes. Muitas ficaram indignadas, cobertas de razão, claro. Como é que se adequa a uma tendência dessas? Mas eu não entendi a surpresa…Não foi ao acaso que os implantes explodiram nos últimos 15 anos. Basta olhar para o passado e notar que o corpo sempre esteve sujeito a modismos, por mais cruel que fosse. Isso também acontece com o rosto e a fisionomia mas, aparentemente, as pessoas estão fazendo o mesmo movimento sem se dar conta…

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Não é a primeira vez que abordo essa questão aqui, mas é algo que realmente me preocupa. Não é que eu seja contra intervenções estéticas, pelo contrário. Eu só me pergunto se as pessoas estão fazendo pelos motivos certos e não apenas influenciadas por uma dessas tendências que certamente vão mudar na próxima década. O que rolou com os seios vai acontecer com a face. E eu digo isso porque já ocorreu antes, várias vezes, na história recente. Observemos uma breve história do rosto, através da moda:

• Início dos anos 90: Supermodelos.

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Na virada dos anos 90 o padrão de beleza era uma mulher forte, com uma fisionomia saudável e quase atlética. Mulherão mesmo! Naomi Campbell, Cindy Crawford, Linda Evangelista, Claudia Schiffer, Christy Turlington… Bons tempos (na minha humilde opinião, rs). Rosto alongado, bochechas presentes, mas desenhadas. Sobrancelhas desenhadas. Cara de saúde!

• Meio dos anos 90: Heroin Chic.
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Ouvi esse termo durante anos sem perceber que o “Heroin” era de heroína – a droga. Ah, a inocência! Mas é isso mesmo. Depois de toda a saúde das supermodelos, o movimento seguinte foi o anti-saúde. Rosto fino, angular, lânguido, de expressão cansada. A era grunge. Kate Moss e Calvin Klein, os maiores representantes desta época. Sai o look mulherão e entra a menina debilitada. Também tem seu charme, mas não é a que eu prefiro. 

• Início dos anos 2000: Glamazon.

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Reza a lenda que Anna Wintour estava sentada num desfile quando passou Gisele Bündchen na passarela, foi quando Anna disse “esta é a menina que vai mudar o padrão“. E ela estava certa! Gisele chegou mudando as regras. Volta a saúde, volta a beleza solar, volta a abundância, o mulherão. Foi uma época gloriosa para modelos made in Brazil no geral. Os traços alongados e mais pronunciados ganham destaque novamente. Gisele com seu nariz, bocão e cabelão mudaram tudo. Notaram que tem um padrão de “corrente x contracorrente” aqui, né? Então vocês já podem prever o que aconteceu em seguida…

• Fim dos 2000: Beleza estranha

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Eu não sei se essa fase tem um nome tão cativante quanto as demais, mas “beleza estranha” define bem. E eu não falo isso de forma pejorativa. Saem as Glamazons e entram os traços diferentes e exóticos, como os de Lindsey Wixson e Lara Stone. Um resgate do grunge com Marc Jacobs e McQueen. O rosto de coração (triângulo invertido) passa a dominar e as bochechas somem. Até a Madonna mudou de face! Lembram da era Jessica Stam, Sasha Pivovarova, Gemma Ward? De certa forma isso vem ecoando até hoje com Cara Delevingne e seus rostos felinos.

• Presente e futuro: ?.

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Se você quer saber meu pitaco, o panorama já começou a inverter de novo, com Gigi Hadid. Sua carinha de saúde – com bochechas e uma alma solar. Acho que está rolando um retorno do que é mais natural, em vários aspectos da moda e da beleza. O formato do rosto e a fisionomia também entram nisso… 

É muito importante que a gente entenda que existem estes ciclos por dois motivos: primeiramente e mais importante, para que isso não afete a nossa autoestima. E daí que você não tem as cavidades na bochecha do padrão vigente se isso vai mudar a qualquer momento? O segundo motivo é para que ninguém assuma algo definitivo ou drástico sem que seja algo que quer mesmo, independentemente de modismos (que, convenhamos, ninguém é imune). 

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Do ponto de vista da consultoria de imagem, que é a da percepção que têm nossos cérebros, o importante é apenas a proporção. Um rosto oval é o que sua biologia espera e isso pode ser simulado com pequenos ajustes no corte de cabelo, os decotes certos e até um brinco certeiro. Nada drástico ou definitivo. Só um pouco de ótica! Ainda vou escrever mais sobre isso, se isso te interessa, fique de olho aqui…

Beijos,

gabi

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