UM VÍRUS NO SEU ARMÁRIO: OS SAQUINHOS

Comportamento
13/06/2017

Eu sou uma pessoa hiperbólica, sabemos. Mas não é exagero quando eu digo que o seu armário, sua vida, está (muito provavelmente) tomada por um monstro disfarçado de utilidade: saquinhos. Saquinhos de TNT ou tecido. Sim, aqueles saquinhos que acompanham ou você compra para armazenar sapatos no guarda-roupa ou em viagens… Aquilo é um vírus!

saquinhos sapato organizacao armario consultoria de imagem

Ano passado eu li o livro da Marie Kondo a Arte da Organização. Spoiler alert: não é sobre organização coisa nenhuma, é sobre descarte. Ainda assim é maravilhoso! Depois da leitura eu fiz uma limpa completa e joguei fora/doei milhares de coisas. Dentre os itens mais inúteis e omnipresentes da minha vida estavam os tais saquinhos. Eu tinha dezenas deles! O suficiente para encher uma sacola de lixo de 100 litros. Já imaginou? E olha que eu sequer guardo meus sapatos dentro deles. 

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Eu tinha isso tudo para o clássico “vai que eu preciso“. E como eles não estavam todos num mesmo lugar, (se espalham como um vírus, eu disse!) eu nunca notei que havia tantos. E digo mais: como Consultora de Imagem, vejo o armário de muita gente e posso garantir: não é exclusividade minha. Já vi muitas vítimas com a mesma taxa de contaminação (algumas devem se reconhecer nete post, rs). E permita-me fazer uma afirmação controversa: você não precisa dos saquinhos. Calma que eu explico. 

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A verdade é que apesar do saquinho ajudar a conservar o aspecto do sapato (mas lembrem que dependendo do material, pode ser ruim, já que o couro precisa respirar e ainda tem a umidade depois do uso), ele é péssimo na hora de montar o look. Se você guarda seus sapatos embalados, você não consegue vê-los todos de uma vez quando precisar compor uma produção. Resultado: você vai acabar usando sempre os mesmos. Eu sei que poucas pessoas privilegiadas conseguem dispor de espaço para guardar todos os sapatos à vista, mas quanto mais evidentes eles estiverem para você, melhor. Assim fica fácil pensar fora da caixa e criar algo diferente. 

Eu mesma tenho tentado reduzir o número de pares para manter só aqueles que eu consigo ver dentro do armário. Não adianta ter 100 modelos se você só enxerga 10. Aqueles saquinhos que têm uma “janelinha” transparente ajudam, mas não é a mesma coisa que deixar em evidência. Já para viagens, eu recomendo que você guarde uma meia-dúzia destes sacos e só. Eu joguei quase tudo fora, porque criei terror, rs. Até os das bolsas eu me livrei. Guardei só os daquelas que têm algum potencial para venda no futuro, rs. Eu juro: você não precisa deles. Eles só entulham seu armário e embaçam a criatividade, rs.

Beijos,

gabi

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LINDO! MAS E EU COM ISSO?

Comportamento
19/04/2017

Pode parecer uma grosseria mas é apenas um convite para uma observação sobre seu estilo, rs. Eu ainda não comecei a falar sobre a questão dos estilos, que é um dos âmbitos trabalhados no processo de Consultoria de Imagem. Mas a cada cliente eu noto o quanto isso é importante, sobretudo hoje em dia, na era digital. Calma que eu explico…

Estilo Pessoal

Estamos expostas a tantas, tantas coisas… Muita informação mesmo! E dentre elas, muitos itens legais, que acabam nos cativando. Com isso, algumas vezes perdemos um pouco a bússola de quem nós somos. Hoje a Kylie Jenner usou um vestido lindo em tons terrosos, todo adesivo. Amanhã a Gigi Hadid coloca um boné belíssimo. Mais tarde, a Olivia Palermo veste a mais perfeita obra de alfaiataria. Um tempo depois, Emma Stone aparece num red carpet com um longo bordado com feitio vintage. Nesta sequência de referências que nos bombardeiam várias vezes ao dia, às vezes fica difícil lembrar o que nos agrada de fato, o que entra no nosso estilo. 

Estilo pessoal

Sempre que eu faço a Análise de Estilo, na maioria das vezes ou a pessoa é exclusivamente básica, o que pode acabar sem personalidade, ou a cliente usa absolutamente todas as referências… O que a deixa sem personalidade também. Veja bem, longe de mim querer restringir – peça a peça – o que alguém vai vestir. Sou sempre a favor da liberdade. Não é tanto “o que não fazer” e sim o “como fazer“. Ainda assim, claro que alguns elementos acabam limados ao definir o estilo pessoal. 

No meu caso, por exemplo, não sou nada romântica. Acho que nem combina muito com uma mulher na minha escala (ou meu senso de humor), rs. Por conta disso, eu provavelmente não usarei uma blusa de lacinhos ou de babadinhos. Por outro lado, eu até já escrevi um post sobre como usar a tendência dos babados para quem não é de estilo romântico. Era praticamente um post para mim mesma.

Irmãs, quase da mesma idade, modelos… E cada uma na sua. Você saberia diferenciar Gigi e Bella Hadid mesmo sem as cabeças, né?

Em suma, meu ponto é: bonito é bom… Mas tem a sua cara? Pode ficar com a sua cara? Eu sei que para isso é importante se reconhecer primeiro – o que pode ser um desafio bem difícil. Minha dica é justamente começar a diferenciar o que a gente acha lindo e o que a gente gostaria de usar. Em uma pergunta: Te representa? E isso vale desde o vestidinho da Kylie Jenner, até a nossa identidade como um todo. E um dos melhores efeitos colaterais de pensar desta forma é que você começa a gastar com muito mais propriedade e consciência. Eventualmente, gastar menos. O moço da Forever21 já recebe dinheiro o bastante de todas nós, certo?

PS: Sei que tenho postado pouco, mas o lado bom de tanto trabalho no offline é que ele me dá muitas ideias do que abordar por aqui, para ajudar mais gente. Nos próximos dias vou retomar o ritmo por aqui. Prometo!

Beijos,

gabi

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MUSLIM GIRL

Comportamento
09/03/2017

Em tempo para o dia da mulher, gostaria de dividir com vocês uma experiência muito legal e marcante para mim. Fui convidada pela Glamour para fazer uma entrevista diferente para a edição deste mês… Uma entrevista que mudou um pouco minha forma de pensar. Tive o privilégio de conhecer (e até levar para passear pelo Rio, comer um picadinho) a maravilhosa Amani Al-khatahtbeh, do site Muslim Girl. Você provavelmente nunca ouviu falar dela, mas deveria. Eu nunca aprendi tanto com uma pessoa tão mais nova do que eu – exceto no dia em que a minha irmã adolescente me ensinou a mexer no Snapchat

  

A Amani, com 23 anos na ocasião, já havia se tornado uma ativista de notoriedade nos Estados-Unidos. O Muslim Girl, site que ela criou, se tornou referência para muçulmanos e não-muçulmanos aprenderem e dividirem um pouco das suas experiências e seus manuais de sobrevivência numa América pós-11 de Setembro. Um tópico tão em voga, mas um nicho tão carente de representação que Amani atingiu 100 milhões de acessos em pouco tempo. Ela se tornou uma voz de sua geração e já é conhecida até dos Obamas [pausa para celebrar que agora tenho apenas um grau de separação com Barack e Michelle]. 

muslim girl

A matéria ficou linda, com fotos de Sofie Mentens, styling dos queridos We not Me e make da Miss Emanuelle, além da edição especial da equipe da revista. Vale a pena ler por completo! Até porque, a história dela é fascinante. Mas eu não vim dar spoiler e sim apenas falar de como isso mudou um pouco as coisas para mim. Todos nós temos uma imagem de como é o Islã certo? Mas uma pergunta crucial: você já falou com um muçulmano? 

Amani apenas me contou a sua história e isso foi o suficiente para que eu conseguisse mudar de opinião sobre algumas coisas. Muito do que eu acreditava sobre a sua religião e cultura estava equivocado. Era baseado em preconceitos e relatos de pessoas de culturas como a minha. Um eco da opinião alheia. Foi então que eu percebi que eu havia formado uma ideia sem nem ao menos ter contato com alguém próximo daquilo. E como isso serve de exemplo para o dia de hoje…. 

Acredito que, se ao menos a gente puder escutar, escutar mesmo, a história e a bagagem de cada um, fica muito fácil entender, aceitar e ter empatia. Acabar com ideias pré-concebidas e enxergar com outros olhos. Para mim o Dia Internacional da Mulher não é uma ocasião para parabenizar [muito embora eu aceite com carinho, obrigada] e sim para refletir e conscientizar. Para quem ainda acha que o Islã, com seu mais de bilhão de pessoas é uma coisa só, converse com um muçulmano. Para quem resiste ao feminismo por achar que é só cabelo na axila, rs, converse com um(a) feminista. Para quem acha que não existe mais racismo, converse com alguém que passa por isso. Vamos abrir uma janela e deixar a informação entrar pela interação? Acredito que é o atalho mais rápido para acabar com os preconceitos e enfim atingir a união que tanto almejamos e precisamos. 

Em tempo, muito obrigada à Pauli Merlo e à Nat Fuzaro pela oportunidade. Nunca vou esquecer!

Beijos,

gabi