O VALOR DA AMIZADE FEMININA

Comportamento
01/09/2016

Sempre tive muitos amigos homens. Sobretudo por namorar há muito tempo, acabei próxima dos meninos. A amizade masculina é tida como um elo de irmandade. “Fulano não é meu amigo, é meu brother!” ou “Mulher de amigo meu para mim é homem”. Essa união entre eles sempre foi muito valorizada, apreciada e promovida. Mas hoje eu venho aqui para ressaltar as glórias da amizade feminina

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Felizmente, também tenho amigas maravilhosas, de uma união e lealdade que é rara de se ver, em qualquer gênero. Foi com elas que eu aprendi o devido valor da amizade entre mulheres. Os homens podem ter uma fidelidade quase canina. Mas existem coisas que só uma amiga faz por você. E digo isso também como a mulher dentro da alcatéia. Às vezes cumprimos papel de anjo da guarda, rs. As meninas ainda são criadas para ser a voz da razão e da maturidade (sobretudo se você nasceu virginiana – bate aqui!) muito embora sejamos, por vezes, retratadas como histéricas.

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Não tenho a intenção de ressaltar as diferenças entre homens e mulheres, porque estaria recorrendo a estereótipos. Mas me permitam ser genérica, usando minha experiência pessoal como exemplo, sem pressupor nenhuma regra invariável. Mulheres costumam ter uma abordagem bem diferente a dos homens às diversas situações que passamos. De certa forma, eles não foram tão preparados pela sociedade para lidar com questões da mesma maneira que nós. Embora possam ser super solidários, sinto que só as amigas conseguem dar a devida profundidade às crises. Eles são mais superficiais e gostam de deixar a conversa mais leve com uma piadinha (que pode até ser bem-vinda). Mas se eu tenho um abacaxi de Itu, só minhas amigas descascam. 

amizade feminina  

Outro ponto importante é a empatia. Amigas conseguem se colocar no lugar uma da outra como ninguém. Isso porque dificilmente um homem vai entender por completo às questões que rodeiam o “ser mulher”. Aliás, empatia, em geral, costuma ser mais a nossa praia. Mas tem também o “sentir na pele“, de coisas que nos são tão familiares.  

Mais um elemento vital na amizade entre mulheres: as broncas. Para mim, não existe maior forma de amor do que dar/levar uma bela bronca das minhas amigas. Se eu estou te dando um puxão de orelha, pode ter certeza: eu te amo. Isso é algo que reservo apenas para as pessoas que mantenho no meu menor círculo – e o que eu espero delas de volta. Passar a mão na cabeça é importante também, quando cabe. Não existe consolo melhor do que o das nossas amigas. No entanto, a bronca certeira é o mais extremo antônimo da indiferença.

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Tem ainda a parte mais agradável, os elogios. Mulheres elogiam mais. E não só por conveniência ou educação, o que acontece também. Mas a gente costuma reconhecer melhor os pequenos esforços ou até os grandes. De um esmalte bonito a um “você é uma mãe maravilhosa“, passando casualmente por um “bom trabalho!“. Amigas enxergam e apontam nossas menores vitórias, ainda que seja um rabo-de-cavalo bem executado, rs. Homens podem até elogiar, mas numa outra escala. 

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Vai amigaaaa!

A gente sabe que existe muita competição feminina por aí, infelizmente (eu mesma tenho dificuldades em quebrar esse hábito de comparação). Mas seríamos muito mais espertas se ao invés das tais “inimigas” colecionássemos amigas. Enquanto isso, acho que vale reconhecer que a nossa amizade tem muito mais valor do que se prega por aí – isso porque eu nem entrei no mérito das coisas que a gente pode pegar emprestado, rs. Minhas amigas são um dos meus alicerces e tenho muita sorte de tê-las do meu lado dividindo as dores e as alegrias, os desafios e as conquistas, as broncas e os reconhecimentos. Obrigada a elas! Quero que toda menina, mulher e até os rapazes tenham essa mesma sorte. A amizade feminina vale muito!

Beijos,

gabi

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OLIMPÍADAS DAS MULHERES

Comportamento
14/08/2016

olimpiadas das mulheres

Sim, talvez os grandes ídolos desta competição sejam Phelps e Bolt. Mas não há como negar que as Olimpíadas do Rio 2016 são mesmo das mulheres. As atletas não param de nos dar orgulho… Sejam elas brasileiras ou não. Não que exista qualquer competição neste sentido, clube do Bolinha ou clube da Luluzinha. No entanto não há como negar que as mulheres estão quebrando barreiras seculares através do esporte neste ano. A começar pelo índice de participação: 45% dos atletas são mulheres. O número mais alto até aqui. 

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Karol Conka e MC Soffia na abertura

Sem dúvida a maior quebra de paradigma nacional vem sendo o futebol feminino, redefinindo ídolos no maior esporte do Brasil. O público gritando o nome da Marta no jogo dos rapazes pode não ser muito simpático mas é símbolo do novo momento (e um tanto cômico). Acho que é um reconhecimento justo, sobretudo porque o brasileiro vem vivendo um amor não-correspondido com o futebol masculino. Há também o surgimento de novos ícones do esporte como Simone BilesKatinka Hosszu e Katie Ledecky, quebrando recordes e expectativas. Histórias de superação como da judoca Rafaela Silva ou da refugiada síria Yusra Mardini, que competiu aqui depois de nadar no mediterrâneo por mais de 3 horas para salvar seu barco com outros refugiados. 

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Claro que ainda temos um longo caminho a percorrer. A própria Simone Biles precisou se impor ao ser comparada a Michael Phelps e Usain Bolt. Infelizmente, essa cultura ainda está muito entranhada, sobretudo dentre os comentaristas de esportes. São muitas pérolas! Não só o bom e velho “ela é boa como um homem” (cadê o #likeagirl amigos?), mas também alguns comentários bem infelizes como “o responsável pela sua vitória, seu marido e treinador”, este último exemplo se referindo a Hosszu, após quebrar o recorde mundial em sua prova. Eu mesma flagrei ao vivo um comentarista proferindo “treinar 8 homens já é difícil, imagine 8 mulheres!“. Mudei de canal para não dar audiência, rs. 

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A verdade é que essas heroínas do esporte, mesmo quebrando recordes e vencendo barreiras ainda estão sujeitas a velhas crenças de que mulheres são mais irracionais, emotivas, vaidosas e frescas. Isso quando não são avaliadas pela beleza. Não que a gente não possa apreciar a forma física dos atletas, não é mesmo? Afinal, tem muito material para todo tipo de preferência, rs. A questão é apenas a igualdade de gêneros. Hoje notei que não existe nado sincronizado ou ginástica rítmica para homens. Qual o motivo? Precisamos romper essas barreiras e estereótipos. Por outro lado, se há preconceito, há também mudanças e respostas maravilhosas como esta:

“Eu não sou o próximo Michael Phelps ou Usain Bolt. Eu sou a primeira Simone Biles“.

Que orgulho dessas guerreiras!

Beijos,

gabi

O “AB CRACK” E A IDEALIZAÇÃO DO INTANGÍVEL

Comportamento
30/07/2016

Se você ainda sonha com a tal barriga negativa, saiba que isso já não é o bastante para ter o “corpo do momento”. O Instagram é um advento que vai além do compartilhamento de imagens bonitas. Hoje, é um dos maiores termômetros sociais e de tendências de comportamento. Não vou dizer que antes do seu surgimento as exigências para o físico feminino eram pequenas. Mas, ao que tudo indica, esta mídia se tornou uma vitrine para modismos bem questionáveis… A última é o Ab Crack

ab crack emily rata   

Se antigamente tinha o gordo e o magro, hoje estar no peso ideal já não é o suficiente para as aspirações cibernéticas. Já vimos de tudo: #BarrigaNegativa, #ThighGap (aquele espaço entre a parte interna das coxas), #BikiniBridge (quando o biquíni flutua entre os ossos da bacia, sem encostar no abdômen ao deitar), #BellyButtonChallenge (quando o braço passa por trás das costas e alcança o umbigo). Onde isso vai parar? E sabe-se lá o que está por vir! A verdade é que as pessoas estão transformando transtornos de imagem corporal em desafios lúdicos ao usar nomes e hashtags cativantes. Uma abordagem quase marqueteira. E quem ganha com isso?

bikini bridge

#BikiniBridge

No caso, a última obcessão, o Ab Crack, em português é o equivalente a “rachadura abdominal”. Na prática é uma espécie de fissura entre as costelas, que você obtêm quando é bem magra, malha bastante (mas sem parecer forte) e não come nada que venha numa embalagem. Parece que tudo começou com algumas modelos da Victoria’s Secret que andaram se destacando na rede. Não preciso dar mais nenhum argumento aqui sobre a intangibilidade dessa modinha, né? Se até Adriana Lima passa fome por 9 dias para desfilar, é porque chegamos nos limites do possível. Isso sem contar que o corpo é material de trabalho (e salário) para estas mulheres. Para elas compensa mais e é quase dedicação exclusiva. 

ab crack

Se ao longo dos séculos os humanos fizeram de tudo para tornar a vida mais prática e menos sofrida, por que nós compensamos nos impondo uma série de sacrifícios desnecessários, em nome de um ideal inatingível? Não me parece muito esperto. É claro que tem aqueles que até dizem que gostam de malhar. Se eles dizem, quem sou eu para duvidar? rs… Mas a menos que essa busca seja algo que te traga alegria e prazer, não vejo o propósito de chegar a tal extremo. Ter saúde deveria ser mérito o bastante, sobretudo num mundo de invenções como Nutella, pão de queijo, sofá e Netflix. 

ab crack 2

Longe de mim querer desencorajar quem está atrás do Ab Crack ou seus precessores. Apenas gostaria de jogar uma luz sobre o assunto, para que a maioria possa enxergar que não faz sentido ficar correndo atrás de algo tão distante – sobretudo sabendo que daqui a pouco o modismo será outro, provavelmente ainda mais distante. Sejamos razoáveis. Todas essas cobranças não são realistas ou justas. Imagina conseguir atingir todas? Essa pessoa merece ao menos uma remuneração. Esse tipo de sacrifício carece de recompensa. Já eu estou aguardando o dia em que a pochete e os pneus estarão em voga. Mastigar carboidrato é uma tarefa bem mais fácil e agradável, rs. 

Beijos,

gabi

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