O “AB CRACK” E A IDEALIZAÇÃO DO INTANGÍVEL

Comportamento
30/07/2016

Se você ainda sonha com a tal barriga negativa, saiba que isso já não é o bastante para ter o “corpo do momento”. O Instagram é um advento que vai além do compartilhamento de imagens bonitas. Hoje, é um dos maiores termômetros sociais e de tendências de comportamento. Não vou dizer que antes do seu surgimento as exigências para o físico feminino eram pequenas. Mas, ao que tudo indica, esta mídia se tornou uma vitrine para modismos bem questionáveis… A última é o Ab Crack

ab crack emily rata   

Se antigamente tinha o gordo e o magro, hoje estar no peso ideal já não é o suficiente para as aspirações cibernéticas. Já vimos de tudo: #BarrigaNegativa, #ThighGap (aquele espaço entre a parte interna das coxas), #BikiniBridge (quando o biquíni flutua entre os ossos da bacia, sem encostar no abdômen ao deitar), #BellyButtonChallenge (quando o braço passa por trás das costas e alcança o umbigo). Onde isso vai parar? E sabe-se lá o que está por vir! A verdade é que as pessoas estão transformando transtornos de imagem corporal em desafios lúdicos ao usar nomes e hashtags cativantes. Uma abordagem quase marqueteira. E quem ganha com isso?

bikini bridge

#BikiniBridge

No caso, a última obcessão, o Ab Crack, em português é o equivalente a “rachadura abdominal”. Na prática é uma espécie de fissura entre as costelas, que você obtêm quando é bem magra, malha bastante (mas sem parecer forte) e não come nada que venha numa embalagem. Parece que tudo começou com algumas modelos da Victoria’s Secret que andaram se destacando na rede. Não preciso dar mais nenhum argumento aqui sobre a intangibilidade dessa modinha, né? Se até Adriana Lima passa fome por 9 dias para desfilar, é porque chegamos nos limites do possível. Isso sem contar que o corpo é material de trabalho (e salário) para estas mulheres. Para elas compensa mais e é quase dedicação exclusiva. 

ab crack

Se ao longo dos séculos os humanos fizeram de tudo para tornar a vida mais prática e menos sofrida, por que nós compensamos nos impondo uma série de sacrifícios desnecessários, em nome de um ideal inatingível? Não me parece muito esperto. É claro que tem aqueles que até dizem que gostam de malhar. Se eles dizem, quem sou eu para duvidar? rs… Mas a menos que essa busca seja algo que te traga alegria e prazer, não vejo o propósito de chegar a tal extremo. Ter saúde deveria ser mérito o bastante, sobretudo num mundo de invenções como Nutella, pão de queijo, sofá e Netflix. 

ab crack 2

Longe de mim querer desencorajar quem está atrás do Ab Crack ou seus precessores. Apenas gostaria de jogar uma luz sobre o assunto, para que a maioria possa enxergar que não faz sentido ficar correndo atrás de algo tão distante – sobretudo sabendo que daqui a pouco o modismo será outro, provavelmente ainda mais distante. Sejamos razoáveis. Todas essas cobranças não são realistas ou justas. Imagina conseguir atingir todas? Essa pessoa merece ao menos uma remuneração. Esse tipo de sacrifício carece de recompensa. Já eu estou aguardando o dia em que a pochete e os pneus estarão em voga. Mastigar carboidrato é uma tarefa bem mais fácil e agradável, rs. 

Beijos,

gabi

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A BELEZA MUDOU

Comportamento
11/07/2016

Há quem diga que uma troca de década/era está sempre atrelada a uma grande transformação na beauté. A beleza é um reflexo de uma mudança de paradigma, de comportamento e até de valores. Depois de um período bem saturado da maquiagem e cabelo, acredito que estamos caminhando para uma nova era da estética: sai o reboco, entra a pele natural, sai o desenho marcado, entra a luz e sombra, sai o cabelo montado e entram os fios naturais

 

É inegável o caminho que estamos tomando nesta nova era cosmética. Até os nossos produtos mudaram: hoje falamos em óleo de côco, mel, abacate… E não é receita (mas bem que poderia ficar gostoso isso aí). Aposto que nunca se usou tantas águas e óleos. Eu mesma não vivo sem água termal e pelo menos um óleozinho multifuncional. Claro que isso não quer dizer que eu dispenso os meus itens mais elaborados e tecnológicos, mas acabou a habitual predominância.

    

Alicia Keys, linda, que abandonou a maquiagem definitivamente. 

Basta observar as últimas tendências de beleza: sobrancelhas cheias, sardas aparentes (ou até falsas), cabelo cacheado, strobbing… Tudo é um reflexo de que a época da montação está chegando ao fim. Agora o que vemos são peles naturais, com viço. Nada daquela argamassa que tanto vimos e copiamos do YouTube, rs. Pessoalmente, fico bem entusiasmada com essa nova onda, já que sempre preferi uma make mais suave na pele e deixava o destaque para o batom. Mas mesmo esses estão cada vez mais suaves. Notaram? Nunca se viu tantos tons de boca nas prateleiras. O tal do “my lips but better” (meus lábios, só que melhor), batom mortadela, rosa queimado, capuccino… 

beleza mudou novo look batons nude 

Na dúvida, basta observar algumas das musas atuais: Gigi Hadid, Kendall Jenner, Lupita Nyong’o, Grazi Massafera, Blake Lively, Cara Delevigne… Até a Kylie, ícone da maquiagem e fã de um bom reboco, usa apenas tons terrosos. Para mim, a maior representante dessa nova etapa é justamente Gigi Hadid, com sua beleza solar, luminosa e até de bochechas – coisa que não se via mais. Ando pinando (tem que virar verbo) bastante suas makes e cabelos, rs. 

 gigi hadid beleza mudou novo look

Quase nada e ai que linda!

Claro que isso não restringe em nada nossas escolhas, se trata apenas de uma tendência de comportamento que reverberou na maquiagem e cabelo. Depois do ápice do look ostentação e da montação excessiva, era de se esperar que a coisa caminhasse para algo na direção oposta. Estamos vivendo um momento mais frugal no geral. Normcore, genderless, P&B… São tempos mais simples. Mas quem gosta de como as coisas estavam é livre para abusar da make e cabelo como quiser. O importante é se sentir bem. Eu vou continuar com meu batom vermelho e pele de pó mineral, até por causa da minha coloração pessoal, totalmente diferente da Gigi Hadid, rs. Aliás, essa é sempre a minha recomendação geral, independente de tendências. Mas pequenos ajustes são sempre bem-vindos, né?

Beijos,

gabi

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QUANDO A REVIRAVOLTA DO ROTEIRO É FEMINISTA

Comportamento
28/06/2016

Ontem foi ao ar o final de temporada mais aguardado da história de todas as séries: o desfecho da sexta temporada de Game Of Thrones (se você ainda não viu, pare aqui). Era o mais aguardado porque era o mais imprevisível, já que os livros pararam em sua 5a etapa. E ninguém poderia prever que essa transmissão digna de final de copa seria um baita de um 7×1… Para nós. 

   mulheres game of thrones feminista

O mais legal é que toda a sequência de vitórias do episódio foram essencialmente femininas. As mulheres tomaram conta da série! O que dizer de Cersei, que um dia tanto odiei e hoje é uma das minhas favoritas? Resolveu sozinha o problema da bancada fanática e fez tudo isso no figurino mais lindo que eu já vi. Danaerys finalmente embarcando nos navios com uma frota completinha, graças à aliança com as mulheres de Dorne, Yara Greyjoy e a vovó Tyrell. Arya sorrateiramente vingando sozinha a família inteira. Até Sansa deixou de ser sonsa… Isso sem contar nosso novo personagem favorito, Lyanna Mormont. A menina é menor do que eu quando nasci e já é a personalidade mais forte de Westeros. 

game of thrones lyanna mormont feminista

Mas eu não estou aqui apenas para celebrar essa maravilhosidade (a qual não estamos acostumados). Não sei ainda se estes acontecimentos vão ser reproduzidos no livro ou não, mas não consigo evitar o pensamento de que a série estava andando na contramão dos novos tempos e resolveu se adequar. Há pouco tempo, ano passado mesmo, a produção foi fortemente criticada por cenas de violência contra a mulher bem desnecessárias, sobretudo as cenas de estupro… 

cersei season 6 feminista

Claro que existe um contexto na série, algo histórico mesmo, que coloca as mulheres numa posição passiva e submissa, além de ser uma narrativa essencialmente violenta. Essa parte a gente entende que faz parte do conceito de “época“. Mas  muita gente questionou o emprego de violência desnecessária em algumas cenas de sexo – que diferiam inclusive do próprio livro. E não era só isso. A constante nudez feminina, contrastando com um certo, digamos, puritanismo nas cenas de nudez masculina também levantava sobrancelhas… 

danaerys

Eu aprecio muito a maneira crua como a série trata tudo e acho que isso a torna melhor. Mas essa seletividade era mesmo questionável. Nesta temporada, tivemos pela primeira vez (acredito eu) um nu frontal masculino, na cena em que a Arya vai aos bastidores do teatro. Não foi nada bonito e muita gente achou ruim, porque era mesmo um bocado nojenta. No entanto, pode ser mesmo um motivo para celebrar…. A própria Emilia Clarke comemorou dizendo que “atenderam ao seu pedido”. Compreensível, sobretudo relembrando o quanto Danaerys apareceu peladíssima até aqui. E não vamos esquecer a cena indigesta da Cersei na última finale. 

game-of-thrones-season-6-episode-9-dragons

As mudanças nos rumos do roteiro e produção seriam um reflexo dos novos tempos e da ótica feminista? Não sei. Mas está ficando difícil ignorar as demandas do público feminino. Ainda não sei como essa nova situação das mulheres vai se desenrolar… Nesta história sabemos menos que o Jon Snow. E se “quando você joga o jogo dos tronos, você ganha ou morre”… Eu diria que, pelo menos por enquanto, as moças estão ganhando. 

Beijos,

gabi