AMFAR 2017 :: ANÁLISE DOS LOOKS

Estilo
28/04/2017

Rolou ontem o evento que é possivelmente o mais alinhado de todo o calendário nacional, o Amfar 2017. O jantar de gala beneficente recebe todo ano convidados ilustres para angariar fundos para o combate à Aids. Causa nobre e muito entretenimento para nós aqui fora! Algumas das nossas celebs favoritas estiveram por lá e capricharam nas produções. Como sempre, vou dar meus pitacos, tentando deixar a subjetividade de lado (ou parte dela, ninguém é de ferro) e falar de questões técnicas como cor, modelagem e adequação:

Amfar 2017

Renata Kuerten foi uma das que mais gostei. Azul-marinho é possivelmente a cor mais versátil em matéria de harmonia com o tom de pele. Sem contar que gostei da escolha de acessórios e cabelo. Fernanda Motta fez uma escolha similar nos bordados, mas com uma modelagem relativamente simples. O impacto ficou por conta do batom vinho (lembram o que falei dele?) e do brincão. Neste caso, acho que ambos estavam adequados para a ocasião, mas talvez o da Renata, mais coberto e elaborado, seja mais apropriado para um evento deste porte. Aliás, os dois são Patricia Bonaldi.

Luciana Gimenez é extravagante, sempre soubemos. Por isso, nada mais justo que um vestido exuberante como ela. Eu teria escolhido algo menos revelador para uma gala beneficente, mas não posso dizer que está totalmente ruim. O preto e uma boa cor para ela, por conta do contraste. E essa cintura sobrenatural ficou bem valorizada neste Lethicia Bronstein, rs. Porém não entendo porque dois colares.

Juliana Paes segue fazendo jus à sua classificação como uma das mais belas do país (fui eu mesma que dei o título) e desfilou sua lindeza num longo Le Lis Blanc com transparência que destacou sua silhueta perfeita. E vocês sabem que quando eu digo isso, falo de proporção. Juliana tem bumbum, mas não tem o quadril de um corpo triângulo. Ela é bem equilibrada e ampulheta. Adorei a bolsa esférica. Quando vocês forem a festas, não esqueçam da importância da bolsa. Ela pode salvar ou derrubar uma produção.

 

Sabrina Sato sempre cria muita expectativa e todos esperam que ela vá causar onde vá. Neste caso, não fiquei muito impressionada com este longo Helô Rocha. Achei a modelagem mal resolvida no quadril. Era pra ser volumosa, mas ficou apenas estranha. E com o volume todo concentrado nos braços e quadril, senti uma desproporção esquisita. Katie Holmes foi muito legal ao escolher uma designer nacional para comparecer ao nosso Amfar. Este longo azul é Fabiana Milazzo. É relativamente simples, mas o tecido é super sofisticado e o corte impecável. Sem contar que este azul ficou lindo para ela. Aposto que é da cartela e ela vive usando, rs. 

Mariana Rios me decepcionou em dois pontos: achei a roupa Fendi pouco para o Amfar. Acredito que demandava algo mais formal. O couro, o cropped, o cumprimento… Individualmente, esses itens não são problema mas juntos acabam tirando toda a sofisticação que o evento demanda. O outro ponto é o sapato – e aqui vai uma boa parcela de opinião pessoal – acho que meia pata desta altura tira todo o refinamento da produção. Desculpe quem gosta, mas acho que caberia mais para uma outra ocasião.

Já o look Prada de Isabella Santoni certamente divide opiniões. A minha está do lado de quem gostou muito! Eu amei essa produção. Adoro quem vai em red carpet de calça! E esse tem seda, bordados, plumas… Tudo o que tem direito. Gosto até da maneira como a bolsa preta coordena com o detalhe da roupa. Até fingi que não vi esse cinto perdido! Sem contar que estou feliz que ela voltou a ser loira.

Duas moças que foram para causar comoção! Cris Vianna com seu Badgley Mischka branco de franjas metalizadas. O vestido caiu como uma luva para ela – tarefa difícil para um modelito branco rente ao corpo. Já Bruna Marquezine dispensou o metalizado e foi de metal, literalmente. Um top bem chamativo e moderno até. Casou muito bem com a saia branca em coluna, que alongou a silhueta. O look é Carlos Miele

Mariana Goldfarb, desta vez com um vestido só seu, da nova coleção da Dior. Gosto do look, mas sinto falta de um cabelo mais elaborado. E também prefiro menos colares numa ocasião formal. Fiorella Mattheis foi lúdica de Gucci ao Amfar. Sei que muita gente vai torcer o nariz para este vestido. Mas achei a escolha muito descolada e a cor ficou linda para ela, no contraste… Melhor que a cor do cabelo. Sem contar que vestiu muito bem. Eu até gosto dessa moda debochada da Gucci.

 Amfar 2017

Yasmin Brunet entra na mesma categoria da Luciana Gimenez para mim. Um pouco menos de pele teria ficado melhor para a ocasião. E sigo sem entender o empilhamento de colares em algo tão formal. Mas o vestido John John é bem bonito, muito embora eu ache que preto não é a melhor cor para ela. Fechando com chave de ouro com Marina Ruy Barbosa indefectível de Patricia Bonaldi de veludo verde bordado. Uma visão! Já falei o quanto eu gosto de ruivas de verde? E não vou nem entrar no mérito das esmeraldas obscenas. Eu achei que eram turmalinas, mas o joalheiro disse que eram esmeraldas (minha pedra favorita). #EmprestaMarinão

Desculpem se as fotos do Amfar não estão muito boas ou se faltam o pé, rs. É muito difícil achar boas fotos de celebridades nacionais, em bom tamanho e resolução. O que salva um pouco é o Instagram, mas não é ideal. Espero que dê para ver e assimilar a explicação direitinho…

Beijos,

gabi

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27/04/2017

Taí uma obsessão nacional que raramente é questionada. Eu não tenho dados oficiais, mas eu duvido que em qualquer outro país no mundo se faça mais as unhas do que aqui no Brasil. Não sei quem começou com isso, mas disseminamos de geração em geração que ir à manicure faz parte da higiene básicafeminina, né? Homens aparentemente ficam bem limpos sem isso, curiosamente. Mas será que você é mesmo obrigada a fazer as unhas?

Fazer as unhas 

De um grupo de dez amigas, acredito que eu sou a única que não pinta as unhas rotineiramente. É bem comum por aqui ver a manicure como um hábito indispensável. E também não é raro ver as pessoas colocando isto como uma exigência para nós. Volta e meia aparece uma voz infeliz dizendo que mulher de verdade tem que fazer as unhas. Ou usa isso como critério de seleção em entrevistas de emprego – juro que isso existe e vocês devem saber.

Quando eu digo que não faço a unha, me refiro ao salão e ao esmalte. Acho que como qualquer parte do corpo, tem que cuidar e deixar apresentável. Mas há algum tempo eu vinha achando a unha natural mais elegante, de verdade. Eu já tinha parado de tirar cutículas (não faz bem mesmo). Sem contar que as manicures não respeitam meu desejo de ter unhas redondas e ovais. Sempre saía do salão com elas quadradas, contra a minha vontade, rs. Por isso, comecei a cuidar por conta própria, com uma manutenção mínima. E estou mais satisfeita assim. 

Aliás, “satisfeita” é a palavra de ordem, acredito. Ninguém é obrigado a nada. Mesmo as minhas clientes que quiserem usar cores fora da cartela, por exemplo, terão meu apoio (depois de uma mini, mini resistência, rs). O meu objetivo como consultora é ver a cliente feliz. Se ela se sente assim com algo que não é o ideal, quem sou eu para contrariar? Ainda assim, sempre melhor tomar uma decisão informada, né? Obrigação é uma palavra que não tem mais o espaço que ocupava no universo feminino. Se você pesquisar as CEOs do mundo no Google, metade delas tem unha pintada e a outra metade não.

Em suma, o que eu prego é: a decisão é sua. Muita gente gosta da rotina de ir ao salão e considera isso um momento de relaxamento. Eu mesma gosto de vez em quando. Assim como tem muita gente que prefere gastar essa horinha semanal com Netflix outra atividade. Eu colocaria na balança. É uma demanda do seu ambiente de trabalho (podiam pelo menos distribuir uns vouchers, rs)? Vai te prejudicar profissionalmente? Do contrário, se reduz apenas à questão: é lazer ou incumbência?

Beijos,

gabi

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24/04/2017

Geralmente, existem dois tipos de cliente quando o departamento é compra: ou a pessoa não gosta de ir ao shopping e não sabe o que escolher ou ama fazer compra e não sabe a hora de parar. Meio-termo existe, mas não é a maioria, rs. De certa forma, acho que esses dois perfis, apesar de extremos opostos, sofrem de um mal similar: dificuldade para identificar o que é de fato uma boa aquisição. Muita gente ainda não conseguiu definir os critérios para determinar o que constitui uma real boa compra. Como você decide o que vale a pena levar?

 

Com o tamanho da oferta e variedade, fica mesmo difícil ter clareza na hora da compra. Alguns acabam levando de tudo e tem gente que sempre leva a mesma coisa (isso quando não desiste e vai embora). Existem ainda ciladas como promoções, descontos progressivos… Quer coisa mais sedutora que “30% de desconto na segunda peça”? Por outro lado, será que você precisava mesmo de duas botas novas? Ou dois maiôs? A melhor maneira de pensar uma compra é se fazendo uma sequência de perguntas importantes:

Eu preciso disso? Quando você vai ao supermercado, geralmente, vai atrás do que está em falta na despensa, certo? Do contrário você acaba com 35 pacotes de molho de tomate. Por que com roupas seria diferente? Identifique o que está fazendo falta no armário antes de comprar mais uma camiseta branca – ou scarpin colorido. Na maioria das vezes o que falta às pessoas são as peças conectoras, que fazem as demais funcionarem: uma boa terceira peça, uma parte de baixo curinga, etc..

“Eu posso precisar um dia”: observe que o item acima usa o verbo “precisar” no tempo presente. O pior pretexto para comprar algo, na minha opinião, é a tal suposta demanda futura. Na maioria das vezes essa ocasião nunca chega. E muitas vezes, quando chega, você acaba comprando algo novo para essa demanda e nem lembra que um dia já tinha antecipado essa circunstância. Única exceção: roupa de estação. O fim do inverno pode ser uma boa oportunidade para comprar uma bota ou casaco na promoção – caso você precise mesmo de novos. Ou seja, a margem é de no máximo 6 meses, rs. 

Preço não define compra: uma peça barata que vai encalhar no seu armário não é oportunidade, é prejuízo. Lobo em pele de cordeiro. Existem sim muitos achados maravilhosos por aí. Mas lembrem que muitas vezes o que sobrou na promoção sobrou por algum motivo, rs. 

É amor? Você gostou mesmo ou só quer se premiar com uma comprinha qualquer? Ou gostou mesmo foi do preço?

O amor é correspondido? Eu amo batom coral. Mas o batom coral me odeia, profundamente. Uma visão de horror. Por isso, eu não compro batom coral, ele não merece meu amor. Dei um exemplo óbvio aqui, mas serve para qualquer item que não corresponda ao seu sentimento. Amor só deve fazer bem para nós… E isso não vale apenas para roupas, curiosamente.

Relação custo x benefício: leia a etiqueta de composição. O preço tem que ser compatível com o material e/ou com a complexidade da peça. Materiais naturais valem mais. Bordados contam pontos. 

Relação custo x uso: avalie a versatilidade da peça. Mesmo que seja uma roupa simples, se você vai usar toda semana, pode ser vantagem. Se for vestir uma vez por ano, não vale. Eu poderia ter pago 10 salários mínimos no meu cardigã prateado e ele ainda teria sido barato. Levo comigo quase todo dia! Felizmente, foi tipo R$120,00 na época… 

O país está em crise e é uma boa hora para começar a comprar com mais consciência e sabedoria. Isso não quer dizer que você precisa ser exclusivamente racional na hora de fazer uma aquisição. Às vezes a paixão (correspondida) por um vestido ou sapato podem ser suficientes para você tomar uma decisão. Contanto que isso não aconteça todas as vezes, não faz mal à saúde não, rs. Mas, no geral, vale ficar atento à essas perguntas para não cair nos velhos hábitos. E, para quem tem dificuldade em escolher ou sair da rotina, se uma peça atender à maioria desses requisitos, serve como uma “validação” de que a compra compensa. Assim fica mais fácil decidir. 

Beijos,

gabi

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