SOBRE A RELAÇÃO CORPO X ROUPA

Comportamento
03/01/2018

Nós crescemos num mundo que sempre pregou (nem que fosse de forma velada) uma ideia meio reversa de escala de prioridade entre corpo e roupas. Sempre se falou muito em adequar o corpo às roupas. Emagrecer para vestir tal coisa… Botar prótese para a outra coisa. Nunca se pregou muito a ideia inversa de ajustar a roupa ao corpo, a menos que fosse apenas restrição genérica: do tipo saia mais longa conforme for ficando mais velha e seus similares. Felizmente hoje o cenário é bem diferente. Já vemos mulheres gordas vestindo top cropped e se sentindo o máximo. Afinal, 2017, digo, 2018, né?

Sobre: Caimento. 

Mas eu nunca me identifiquei muito com nenhuma das duas vertentes. Sempre fui uma mulher bem grande e fora da norma. Não me sentia muito representada pelas tendências na minha juventude e já joguei muito dinheiro fora tentando correr atrás do que era moda – ou pelo menos a última febre entre as minhas amigas. Coisas de pré-adolescente. Não demorou muito para eu perceber que não dava para eu tentar ser igual a todo mundo. Até porque não existia Keds branco para pés do tamanho do meu. Ou Melissa tijolão (entregando a idade). Ou calça jeans tipo moletom de cintura baixa… Pensando bem, talvez eu tenha sido poupada, rs.

Kate Middleton se tornou adepta da ilusão de ótica, como eu.

Antes mesmo de eu saber o que existia Consultoria de Imagem fui obrigada a colocar algumas das suas técnicas em prática. A verdade é que esse negócio de assumir os pneus para o planeta num cropped não é muito o que me traz alegria ou segurança. Embora eu fique muito feliz por este momento atual, não é algo que eu pretendo colocar em jogo para mim. A minha visão da relação entre corpo e roupa é bem mais estratégica do que corajosa. Eu prego que podemos adequar a roupa ao corpo. 

Lena bota tudo para jogo…

Como eu faço isso? Evidenciando o que eu acho bom e atenuando o que eu considero indesejável na minha figura. Não é que eu vou me transformar de Shrek para Fiona… Mas é aquele acabamento que muda a percepção da sua imagem – para os outros e para você mesma. Por conta disso, já deixei de usar várias coisas, coisas que acho bonitas até. Algumas pessoas chamariam de restrição. Eu chamo de estratégia. Até porque, quero continuar achando a tal coisa bonita, rs. 

Proporção é o mais importante

O mais importante a ressaltar é: existe mais de um caminho para atingir plenitude na autoimagem. E não existe só um caminho certo. Cada um vai se sentir satisfeito de uma forma. Se é malhar até a roupa ficar perfeita, ok (só não é o que farei, tá?). Se é assumir sua forma e pronto, pode ser também – é o que sou obrigada a fazer quando vou à praia, rs. Mas minha preferência está mesmo em fazer o melhor com o que eu tenho. Usar as roupas com bom caimento para atingir o melhor resultado possível. E quando eu digo “melhor”, falo de proporção e não necessariamente de pernão sarado, barriga de tanquinho quebra miudinho vai, quebra miudinho. É por isso que uso o diagnóstico de tipo físicoilusões de ótica. A roupa se adequando ao corpo, não o contrário. A roupa aprimorando o corpo e não o inverso.

“O defunto era maior”

E quais seriam as ilusões de ótica? Sempre salpico várias delas em diversos posts. A cada vez que eu posto um Look do Dia ou faço uma análise de Red Carpet. Mas ferramentas como “vou usar uma calça escura para sublimar o quadril” ou “vou usar um decote canoa para ampliar os ombros“. Muitas delas já são familiares para a maioria, mas prometo trazer mais ferramentas para cá conforme os posts forem saindo… E você? Com qual caminho mais se identifica?

Beijos,

gabi

POSTS RELACIONADOS

VOCÊ NÃO TEM O QUADRIL GRANDE
O EFEITO PÉ DE PORCO
O PONTO G DA CINTURA :: COMO DISFARÇAR BARRIGA
ESPECIAL NOIVAS :: O MELHOR VESTIDO DE NOIVA DO SEU TIPO FÍSICO

SOBRE O TRABALHO ESCRAVO NA MODA… E EM TODA PARTE

Comportamento
20/12/2017

Ontem passei o dia fora mas fui bombardeada com notícias de que a Animale e a Abrand, marcas de um mesmo grupo, foram flagradas produzindo peças numa confecção com trabalho em condições análogas ao trabalho escravo. Era um grupo de bolivianos que trabalhava o dia todo – e a noite toda – e ainda dormia no mesmo ambiente. Havia cinco crianças no meio disso. Para uma peça de roupa, estes costureiros recebiam às vezes R$5,00 ou R$6,00 para produzir peças que chegavam a encostar nos 700,00 reais no ponto de venda. Vergonhoso e ultrajante, não só como ser humano, mas como consumidor também. A discrepância só aumenta o grau de indignação… 

Mas eu não vim aqui fazer uma caça às bruxas. Acho que as marcas já estão recebendo uma enxurrada de questionamentos e repreensões, felizmente. No entanto, eu não quero chover no molhado. Minha intenção é divulgar e, ainda que bastante leiga, trazer algumas questões para reflexão, aproveitando a onda de indignação coletiva. O trabalho escravo na moda não é nenhuma novidade. E não acontece só em lugares como Bangladesh, como é de se imaginar. Estas mesmas oficinas de grifes nacionais ficam em São Paulo, no epicentro econômico do país. Se num lugar muito pobre já é inaceitável, no Brasil é estapafúrdio. 

Apesar disso, sabemos que a fonte do problema não está numa marca x ou y, mas sim no processo como um todo. A cadeia de produção não é sequer terceirizada. Já passou para uma quarteirização. Ou seja, a marca delega o processo para uma confecção A, que delega para a confecção B, que compra da confecção C. Nisso, todo mundo tira o seu, sobre alguém que recebeu uma merreca pelo produto que entrega pronto. A cadeia de produção mais parece a extinta CPMF, com seu efeito cascata

  

Boicotar parece a resposta óbvia e simples, certo? Eu queria acreditar que sim, mas é muito pouco. Assim como meu boicote ao Woody Allen só faz diferença na minha consciência e não na liberdade bolso dele, como eu gostaria. E o buraco vai muito mais embaixo do que uma calça de grife. Meu iPhone, meu chocolate, nossos tênis… E se não está no produto final, o trabalho escravo pode estar na matéria prima. No minério, no tecido, ou em partes como o botão que fecha o punho da manga da camisa. A escala das coisas se tornou tão enorme e distante que já não sabemos o suficiente. As próprias marcas têm dificuldade de controlar todas as etapas e/ou usam isso para serem negligentes e fecharem os olhos. Vamos dar o benefício da dúvida, apesar dos pesares…

O que a gente pode fazer? Boicotar é uma opção sim. Mas acho que não basta. Além disso, não sei como ficaria a situação de quem mal recebe 5 reais ou das costureiras em Bangladesh (recomendo este documentário de 2013 da NPR sobre a produção de uma camiseta na escala global). Amancio Ortega vai ser o último a quebrar na hierarquia da Zara… Por isso acredito que o boicote é pouco e potencialmente nocivo – especulação minha aqui. O que precisa acontecer é uma força-tarefa mundial e nacional. Será que se as marcas fossem responsabilizadas criminalmente fariam uma fiscalização mais eficaz? Delegariam menos processos? Teriam um departamento dedicado a garantir que as condições de trabalho estão adequadas? 

É muito mais complicado do que demonizar uma ou outra marca. E temos que reconhecer que empreender aqui no Brasil é quase um ato de heroísmo. Mas diante de uma calça de R$5,00 sendo vendida a R$700,00, fica difícil enxergar por este lado. Acho que boicotar é válido, mas não resolve o trabalho escravo. Temos que pressionar, divulgar, dar voz às pessoas e brigar por mais fiscalização e responsabilização. Eu não sou nenhuma especialista, longe disso, mas tenho um espaço e estou usando para algumas destas coisas. Se você conhece alguém ou algum órgão que tem uma boa proposta ou solução, divulgue aqui também. Além disso, vamos acompanhar o caso mais recente e ver que medidas práticas as marcas envolvidas vão tomar. Uma nota não resolve nada… Vamos ver se seguirão o exemplo da C&A, que passou a monitorar bem de perto essa situacão. O que pensam sobre isso?

Beijos,

gabi

POSTS RELACIONADOS

RIO BLACK BOOK :: OS BIQUINIS DA REDLEY + AMÚ
2017 SEGUNDO O PINTEREST
ACHADOS DE BLACK FRIDAY :: AINDA DÁ TEMPO!

“VISTA-SE PARA O TRABALHO QUE VOCÊ QUER TER”

Comportamento
02/10/2017

Eu já falei aqui uma outra vez sobre a importância da nossa aparência no ambiente de trabalho e salário – sobretudo para as mulheres. E ao que parece, as últimas pesquisas vêm apenas corroborando a velha tese do “vista-se para o trabalho que você quer ter”. O Fórum Econômico Mundial publicou um artigo recentemente que reforça tudo o que foi dito até hoje e vai além: não é só a percepção que os outros têm de você que muda com a roupa, mas também o seu desempenho

 trabalho look de trabalho  

Não é nenhuma surpresa para mim, fazendo o que eu faço. Já tive feedbacks assim de algumas clientes. Mulheres que começaram a tomar mais iniciativa no trabalho, a fazer sua voz valer, perderam a timidez. De qualquer forma é sempre bom ter uma validação científica, rs. O que este último artigo aponta é que com uma imagem aprimorada a percepção das pessoas sobre você muda e sua autoconfiança floresce, como é de se esperar. Mas não é só isso… Uma boa produção altera até a nossa maneira de pensar. Parece estranho, mas se vestir melhor interfere na sua habilidade de pensar de forma abstrata. Isso pode resultar numa reflexão mais parecida com a de um CEO do que a de um mero funcionário. 

trabalho look de trabalho

Neste estudo em Yale um grupo foi submetido a um teste de vendas, cada parcela com um tipo de roupa. Em suma, na simulação os que estavam mal vestidos arrecadaram 680 mil dólares e os que estavam vestidos de forma neutra conseguiram 1.58 milhões. Enquanto isso, as pessoas de terno atingiram a marca de 2.1 milhões. É uma diferença enorme! Claro que por si só este estudo não diz muita coisa, mas é mais um que endossa a frase do título do post. Por isso, lembre-se disso na próxima vez que for ao trabalho, a uma entrevista de emprego e afins…

Blusa | Jeans | Mocassim | Blazer | Calça | Scarpin

Mas o quão arrumado é apropriado? Se todos trabalham de bermuda, não faz muito sentido aparecer de tailleur, né? A pesquisa ainda aponta mais uma informação útil: a estratégia é estar um grau acima. Então se todos vão ao trabalho de jeans, vá de jeans e blazer. Se todos vão de jeans e blazer, vá de terno. E por aí vai! Minha sugestão é que os incrementos podem ser ainda um salto, uma maquiagem, um penteado (nada com laquê, só um cuidado extra, rs). Preste atenção nos detalhes e use isso a seu favor! E claro, uma Consultoria de Imagem não faria mal também.

Beijos,

gabi

POSTS RELACIONADOS

A MULHER, O TRABALHO E A CONSULTORIA DE IMAGEM
KATE MIDDLETON E A CRISE DO VESTIDO
QUAL É O SEU FORMATO DE ROSTO?
COMO É SUA RISCA DO CABELO?