29/05/2018

Volta e meia alguma amiga ou leitora me pergunta sobre os cabelos brancos. Acho que este é um dilema de muitas mulheres, sobretudo as que têm cabelos brancos desde cedo e em muita quantidade. Não diria que existe uma “regra”, ainda que sub-entendida, do momento ideal para assumir os fios grisalhos. Para algumas é o relógio biológico quem manda. Para outras, o “nunca” é uma opção válida, rs. Mas resolvi contribuir com meus centavinhos sobre este tema… 

   

Como sempre, depende. Tudo é relativo! Não existe um humano igual ao outro e, por isso, acredito que cada um vai ter sempre uma demanda diferente. Onde você trabalha? Como são as pessoas neste ambiente? Em qual lugar você vive? Qual é a sua fisionomia? Qual é seu meio social? Tem um relacionamento? Está a procura de um? Como é essa pessoa? Tudo isso entra na conta. Além de claro, o mais importante segundo eu mesma: qual é a sua coloração

Dito tudo isso, vou tentar escrever de uma forma genérica e da forma que eu colocaria para as minhas amigas (com quem tenho intimidade e total liberdade, ok?). Eu acredito que nem sempre a biologia está de acordo com as nosso estágio de vida e nossas demandas pessoais. Isso vale para muitas coisas e também para os cabelos brancos. Se você você trabalha num ambiente onde a jovialidade e a vitalidade são valorizados, talvez seja melhor postergar o look grisalho. Por outro lado, se você precisa parecer mais madura, pode ser um bom negócio. Se você já tem um(a) parceiro(a) talvez não precise pensar duas vezes. Mas se você está buscando alguém e tem certas preferências, talvez esta pessoa também tenha…

Acho sensacional que hoje a gente tenha uma aceitação muito maior dos cabelos brancos – inclusive eu mesma pretendo ser toda grisalha, como a minha avó, um dia. Acho super sofisticado quando bem cuidado! Mas não precisa ser consultora de imagem para saber que cabelos brancos envelhecem a fisionomia. Por isso, é importante ser estratégica na hora de adotá-los. É claro que eu não estou falando de uns fios aleatórios no meio do cabelo, no estilo Renata Vasconcellos (também conhecida como a mulher mais linda do Brasil segundo eu mesma). Estou falando de cabelos brancos tipo Miranda Priestly

É claro que eu adoraria vir aqui e dizer para todo mundo que pintar cabelo é bobagem e que isso não importa… Mas não é o que corresponde às sinapses dos nossos cérebros (a culpa não é minha, viu?). Se eu fosse colocar em dígitos, numa média bem generalizada, minha abordagem em relação aos cabelos brancos seria:

Até os 40 anos :: Eu não recomendo a cabeça branca antes dos 40 anos de forma nenhuma. Acredito que isso causa uma dissonância cognitiva e as pessoas ficam atordoadas num efeito Glória Maria, perdidas no tempo. 

Até os 55 anos :: Entre 40 e 55 anos, em pleno 2018, acredito que ainda não é a hora de se tornar grisalha. Afinal, 40 é o novo 30. Mas se você se isso não for afetar negativamente o seu trabalho ou suas ambições sociais, por que não? Se isso é o que você quer mesmo, vá em frente. 

Até os 70 anos :: É um período longo, eu sei. Mas aqui eu diria que vai depender de cada caso. Você imagina Ivete Sangalo grisalha em 9 anos? Eu não consigo. Mas Meryl Streep estava de cabeça branca aos 56 anos em O Diabo Veste Prada e ficou perfeita. Então pense nestes dois exemplos e busque uma identificação. Eu acho que eu vou estar mais para Meryl. Não bebi na fonte da Ivete, infelizmente, rs. 

A partir dos 70 anos :: Pode ser antes, pode ser depois mas, numa média, eu diria que os 70 são o momento em que não ter nenhum cabelo branco aparente fica muito estranho. A natureza não é gentil assim com ninguém, rs. Por isso, uma cor chapada nesta fase da vida pode ter o mesmo efeito de dissonância cognitiva do primeiro item. Uma outra questão é a coloração. A gente perde pigmento conforme envelhecemos e não é só no cabelo. De acordo com a temperatura da pele e nível de contraste ter os fios grisalhos pode ser mais jogo do que se tacar na tintura. Um estudo recente mostrou que as peles “esfriam” com a chegada da terceira idade.

E já que falei de coloração, vale lembrar que a maioria das “belezas grisalhas” que vemos por aí são de mulheres brancas e branquelas, de olho claro e contraste baixo natural. Ou seja, é preciso buscar novas referências antes de tomar qualquer decisão. Para negras, por exemplo, eu indicaria mais um tom de cinza do que o branco. Mas se a pele for quente, talvez um castanho acinzentado. O mesmo vale para brancas de pele quente: vale mais um bege ou marfim do que o próprio branco – o que talvez não dispense uma tintura ocasional. Resumindo: tem que escolher com sabedoria o tom dos cabelos brancos também.

Claro que nada disso é regra. Aliás, boa parte do que está aí é minha opinião, porque não existe regra para isso em nenhuma tábula de mandamentos. Isso é o que eu considero razoável, juntando um pouco de técnica, um pouquinho de experiência e uma pitada de impressões pessoais. E não custa nada reforçar que tudo isso é sugestão de consumo, rs. O bem-estar e a autoestima são as principais metas da consultoria de imagem. Se você se sente linda com cabelos brancos na sua idade, não tem porque me dar ouvidos, certo? Mas, quem estava na dúvida, pode se orientar por este humilde post e suas referências. O que acham?

Beijos,

gabi

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Eu sei que o casamento real foi no sábado e que talvez vocês já estejam levemente saturadas do assunto “royal wedding” (eu não, mas ok, rs). Mas só agora eu consegui sentar para escrever meu parecer sobre as escolhas da noiva/princesa/duquesa Meghan Markle. De certa forma, foi bom esperar um pouco também para ouvir as opiniões de ambos os lados. Mas é claro que eu não estou aqui apenas para repetir o que já foi dito. O importante aqui é o que a consultoria de imagem tem a dizer sobre este vestido, este momento, este look completo. 

• O estilo :: Muita gente achou o modelito Givenchy sem-graça. Eu chamaria de clássico. Tenho sim algumas ressalvas para este vestido, mas nenhuma se refere ao estilo. Primeiramente, porque é a cara dela. Meghan Markle tem um estilo ultra clássico e, desde que se tornou elemento da família real, não foi nada menos do completamente protocolar. Existem algumas teorias sobre a real inspiração para o vestido, mas se alguém me dissesse que saiu da cabeça dela eu acreditaria totalmente. Ela estava vestida dela mesma, o que é o melhor tipo de roupa. 

Outro ponto importante: a hierarquia. Kate Middleton seria a rainha na linha de sucessão. Por isso, Meghan não poderia concorrer com o look de noiva da cunhada de forma nenhuma. Ao invés de fazer um elaborado pela metade, foi no caminho oposto, com o modelo mais enxuto possível. Mais uma questão: casamento de manhã, na primavera, numa residência mais campestre da família real, fora de Londres. Precisa de tanta coisa assim? O mesmo vale para a maquiagem aqui. Eu não colocaria uma gota a mais. Bom, talvez um batonzinho, por motivos pessoais, rs.

Por fim, o ápice da estratégia, na minha opinião: deixar todo o ponto focal para o rosto. Sem nenhum destaque no vestido e detalhes apenas nas jóias, não nos resta outra opção a não ser olhar para o rosto de Meghan Markle. E que rosto, não é mesmo? A acho deslumbrante desde o primeiro episódio de Suits.

Coloração :: Eu tenho uma teoria de que Meghan Markle é uma daquelas raras pessoas que fica bem de branco. Talvez eu não achasse isso até vê-la de fato no vestido. Mas dá para dizer que não funcionou? Ainda mais com tão pouca maquiagem? Eu vejo viço ali! Não acho que ela tenha pele fria, exatamente. Mas acredito que ela possa ser de uma cartela neutra de Inverno. Só uma teoria minha… 

Modelagem :: É aqui e apenas aqui que eu tenho alguma ressalva com este Givenchy para a Meghan Markle. São duas questões para mim. A primeira, é o caimento. Acho que o tecido é um pouco mais robusto do que eu gostaria e, por isso, acabou não ficando tão ajustado nos braços (ela tem braços bem fininhos) e no colo. Acredito que o resto do vestido não marcava o corpo por uma escolha da noiva mesmo. É a versão dela de modéstia e discrição. Mas quando isso acontece no braço, fica parecendo que faltou ajuste. 

A segunda é o tipo físico da noiva, que não foi considerado. Meghan Markle é um clássico triângulo invertido (assim como Kate Middleton). Isso significa que ela tem os ombros mais largos que os quadris, proporcionalmente. Com isso, um decote canoa não seria a minha opção para ela – a menos que a saia fosse bem mais rodada no quadril. Na foto em que ela desce as escadas nota-se bem a desproporção. Já o seu segundo vestido, Stella McCartney, é perfeito para o seu tipo de corpo, porque tem um decote que diminui visualmente os ombros e cria a ilusão de uma silhueta bem ampulheta. Ponto para ele. 

• A tiara :: A tiara foi o ponto alto deste look para mim. Não só porque é linda até dizer chega (bem do jeitinho vintage que eu gosto) mas também porque é tecnicamente perfeita. Lembram que eu falei do rosto ser o único ponto focal? A tiara é o elemento que mais reforça isso. Além de deixar conservar o formato do seu rosto bem oval, ele tem uma simetria centralizada que guia o olhar para o centro do rosto dela. Assim a gente não como deixar de olhar para o rosto. O cabelo partido no meio também contribui. Mesmo na foto de grupo, observem:

O ponto focal da foto é ela. O rosto dela. O segundo é a Beth, rs. Aliás, eu gostei do look verdinho dela, viu? Achei ótimo para a coloração dela e tá no esquema de cores da família. Sem contar que tem uma pitadinha de roxo ali, a cor complementar – e da realeza. Dando seu recado, né?

E aí? O que acharam do look da Meghan Markle? Saíram do post com a mesma opinião que entraram, rs? Eu amei este casamento ainda mais que o primeiro. E vocês?

Beijos,

gabi

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16/05/2018

Como é a sua relação com a estampa de oncinha? Na primeira metade da minha vida lembro bem que era um divisor de águas. Um ame ou odeie. E, geralmente, não estava exatamente associada a “bom gosto”. Por conta disso, acho que este animal print sempre carregou um estigma ruim. Era associado a vulgaridade ou falta de elegância. Uma verdadeira injustiça, se você me perguntar… 

Eu vejo a oncinha como um neutro. Não do ponto de vista cromático, é claro, mas do styling. Eu acho que oncinha pode ser um item básico nos nossos armários: preto marinho, branco off-white, jeans e onça. Nesta altura do campeonato você pode estar questionando meu bom senso. Ainda assim, eu acho que oncinha é um grande curinga do armário, sobretudo nos acessórios. Uma boa rasteira ou sapatilha de oncinha vai com qualquer coisa, não é? Inclusive o próprio preto-branco-jeans, com o diferencial de deixar a mistura infinitamente mais interessante. Se eu vivo falando do sapato nude e/ou metalizado, o de onça poderia ser o próximo na sua lista (bem antes do preto, inclusive). 

Este é meu look favorito de todos os tempos de Olivia Palermo. Sério. E olha o sapatinho ali!

Se sapato estampado não é o seu forte, pode ser um cinto ou uma bolsa. Para quem é mais desencanada, pode entrar na terceira peça, por exemplo (eu tenho um cardigã na estampa que eu adoro). Já para as criativas, pode ser a roupa toda ou até um mix de estampas, que eu sou particularmente fã. As funções e variações são inúmeras. Até me encontrei no Google usando estampa de oncinha de várias formas:

Meio girafa, mas ok. Dá para ver pela minha cara o quão antigos são alguns destes looks, né? Então não julguem as tendências da era Cybershot com o olhar de hoje, ok? Só estou mostrando mesmo para provar que é um “façam o que eu digo – e faço”, rs.

A ideia mais versátil e mais fácil de incorporar é um simples lenço. E o bom do lenço é que fica mais fácil ser seletiva por existir muita oferta por aí. Falo em seleção porque não podemos esquecer da principal coisa quando o assunto é estampa de oncinha: o fator Cara de Caro. Eu não consigo enumerar exatamente o que determina o aparente poder aquisitivo de cada estampa, mas acho que o material, a cor e a dimensão das pintas são vitais a se observar. Quanto mais próximos do animal real, melhor. Um sapato com pêlos de verdade, um lenço de seda fosco, pintas irregulares… Algumas das coisas que eu observaria. Fiz uma vitrine para dar uma ideia:

Claro que ninguém é obrigada a gostar de oncinha. Mas quem estiver em cima do muro pode tomar este post como um empurrãozinho, rs. E quem gosta mas não conseguiu incorporar ainda, fica aqui o desafio. Comece pequeno e em breve você vai achar tudo mais óbvio. Fica ainda este depoimento: quando minha cliente tem um sapato de oncinha, este é quase sempre um dos que mais uso montando looks. É versátil mesmo! O que acham?

Beijos,

gabi

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